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Cearense é premiado no 44º Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
Cearense é premiado no 44º Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo

No período de 10 a 13 de abril de 2019, a cidade de Fortaleza sediou o 44º Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo no Centro de Eventos do Ceará. Presidiram o evento os Drs. André Jucá Machado e Leiria de Andrade Neto, que, de forma brilhante, disponibilizaram tempo e organização para trazer ao solo cearense o que há de melhor e mais moderno sobre tão importante área da oftalmologia.
Com a participação de 1009 congressistas nacionais e estrangeiros, o Ceará teve a segunda maior bancada com 82 participantes. Com palestras de altíssimo nível, ministradas entre sessões de casos clínicos e aulas expositivas, o congresso teve a participação de 25 palestrantes internacionais, com destaque para os Estados Unidos e Canadá, com 8 e 6 representantes, respectivamente, além de 178 palestrantes nacionais.
Mereceram destaque os “cearenses” Javier Yugar, peruano, mas cearense de coração, que lançou a 4ª edição do seu livro Ecografia Ocular – Uma Abordagem Didática, e o jovem oftalmologista Bruno Fortaleza de Aquino Ferreira que recebeu o prêmio de melhor trabalho científico do congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (2019), com o título DIVING A VITAL DYE, e o prêmio Christiano Barsante (melhor vídeo na categoria Jovem Cirurgião).

 

O prêmio de melhor trabalho científico do congresso Da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (2019) foi para o cearense Bruno Fortaleza de A Ferreira, com o título DIVING A VITAL DYE vejam que o autor descreve sobre o mesmo :

O azul brilhante é um dos corantes mais usados em cromovitrectomia, sendo comumente utilizado para corar membrana limitante interna (MLI). Para que haja adequada tinção, um vez que azul brilhante tende a dispersar dentro do BSS, usualmente é necessário realizar troca fluido-ar parcial, misturar com glicose ou aplicar em pequenos jatos. Entretanto, essas manobras podem apresentar como desvantagens, respectivamente, maior tempo cirúrgico, maior risco de toxicidade retiniana e chance de causar rotura.
Apesar de já existir no mercado azul brilhante associado a azul tripan e polietilenoglicol (PEG), permitindo corar eficazmente membrana epirretiniana (MER) e MLI, essa combinação de corante não é largamente disponível nos serviços públicos de saúde.
Há 6 meses, venho tentando, com ajuda de residentes, reproduzir a fórmula comercializada da solução de azul tripan e brilhante, substituindo o PEG por diferentes concentrações de glicose. Assim, testamos, como controle, uma combinação dos azuis sem glicose e, para nossa surpresa, notamos que a simples adição de azul tripan ao brilhante aumentava a densidade da solução o suficiente para afundar dentro do BSS.
Posteriormente, calculamos a osmolaridade (304,5 mOsm) e enviamos para um laboratório especializado medir o pH (7,09). Ambos os valores estavam dentro da faixa segura encontrada na literatura (em torno de 290-300 para osmolaridade e de e 7 para pH).
Finalmente, utilizamos a solução durante cirurgia de faco-vitrectomia com "peeling" de MER e MLI. Após infusão da combinação de azul, ela depositou no fundo do olho, sem dispersar dentro do BSS, produzindo efeito cascata semelhante ao das soluções com PEG. Adicionalmente, foi possível corar normalmente a capsular anterior durante a cirurgia de catarata.
Esses achados são interessantes principalmente dentro do contexto de serviços públicos de saúde, uma vez que os custos podem ser até 4 vezes menores, comparados com o corante de marca comercializado no país.
O vídeo "DIVING A VITAL DYE” recebeu o prêmio Christiano Barsante (melhor vídeo na categoria Jovem Cirurgião) no 44o Congresso da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo , realizado em Fortaleza, e encontra-se disponível em https://www.sbrv.org.br/.

Bruno Fortaleza de A. Ferreira